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By Ferramentas Blog

30 novembro 2011

CLÁSSICOS DA AVIAÇÃO: Lockheed P - 3 Orion


O P-3 Orion é uma aeronave de patrulhamento marítimo de longo alcance e guerra ASW com base em terra, é utilizado por cerca de duas dezenas de operadores e iniciou a sua carreira em 1962 substituindo o envelhecido P2V Neptune ao serviço da Marinha Norte-Americana.

Derivado de uma versão comercial o Lockheed L-188 Electra, e produzido ao longo de três décadas continua nos nossos dias a ser a única plataforma de patrulhamento marítimo baseada em terra, que em 2012 entrará para o restrito clube dos aviões com mais de cinquenta anos de serviço contínuo com o mesmo utilizador, neste caso a Marinha Norte-Americana, que gradualmente está diminuindo os seus efectivos, planeando a sua substituição com início em 2013, pelo P-8A Poseidon derivado do transporte comercial Boeing 737-800.



  
Desenvolvimento
 
Em Agosto de 1957 o chefe das Operações Navais da Marinha Americana, publicou os requisitos, para uma nova aeronave de patrulha marítima de longo raio de acção e com base em terra, dos quais se destacam os seguintes critérios:
  • Cabine mais espaçosa que a do P-2 Neptune.
  • Um raio de acção maior e capacidade para permanecer na zona de patrulha por mais tempo que o P-2 Neptune.
  • Um período de desenvolvimento curto.
  • Um baixo custo de aquisição por aeronave.
Em Maio de 1958 a Lockheed foi seleccionada para construir o novo avião, com um projecto baseado no L-188 Electra um transporte civil de passageiros, que por si só atendia a maioria das especificações requeridas.

De imediato todo o programa foi acelerado decorridos três meses, a 19 de Agosto a Lockheed faz voar o terceiro L-188 Electra de produção (c/n 188-1003), como primeiro protótipo, no mês seguinte é inspeccionada a maqueta do avião de produção e somente nove meses após ter sido seleccionada é assinado um contrato de pré produção em Fevereiro de 1959.

A primeira unidade a ser equipada com o Orion foi o Esquadrão de Patrulha nº 8 (VP-8), baseado na base aeronaval de Patuxent River em Agosto de 1962 substituindo os envelhecidos P2V-5F. 


Nos cinco anos seguintes os P-3A equiparam mais 14 Esquadrões de primeira linha. Em 1966 é introduzido o P-3B e ambas as versões voaram ao longo da costa da Indochina durante o conflito do Vietnam. O P-3C inicia a actividade operacional junto do Esquadrão Vp-30 no final de 1969 e continuou em produção para a Marinha Americana até depois de 1986, quando ainda faltavam substituir três Esquadrões que voavam o P-3B.
  
Produção


 A produção do P-3 Orion estendeu-se ao longo de mais de três décadas, entre Outubro 1960 e finais de 1995. 

Inicialmente na fábrica da Lockheed em Palmdale na Califórnia e já na fase final da produção devido a uma importante reorganização interna e uma encomenda Sul Coreana que suportou os custos, obrigou à mudança de toda a linha de montagem para a fábrica de Marietta na Georgia, onde aí foram construídos os oito últimos exemplares. 


No total a Lockheed produziu 650 aeronaves incluindo as três primeiras para o Japão conforme o acordo de produção sob licença. A Kawasaki Heavy Industries, fabricou sob licença toda a frota para suprir as necessidades das forças de auto defesa do Japáo , num total de 107 exemplares. 

Também os motores de todas as aeronaves de produção Japonesa foram construídos sob licença da General Motors nas instalações da Ishikawajima Harima Heavy Industries Company.


Cronologia

Algumas datas importantes no desenvolvimento, produção e operacionalidade do P-3 Orion em modo não exaustivo (compilação de dados).
  
1957 - A Lockheed propõe o L-188 Electra para atender às exigências da US Navy para uma plataforma de patrulhamento marítimoMaio de 1958 - Assinatura do contracto de pesquisa e desenvolvimento.
 19 de Agosto de 1958 - Primeiro voo do protótipo YP3V-1. 
25 de Novembro de 1959 - Primeiro voo do segundo protótipo, com uma fuselagem mais curta (cerca de 2,13m]) e a maioria dos aviónicos planeados já montados.
 Outubro de 1960 - Assinatura do contracto de produção do P-3A. 
15 de Abril 1961 - Primeiro voo do P3V-1 (P-3A).
  • 1962-1963 - Participação do P-3 no bloqueio naval a Cuba. 
  • 1966 - A Nova Zelândia torna-se o primeiro cliente estrangeiro.
  • Novembro de 1966 - Entrega do primeiro P-3B à US Navy.
  • 18 de Setembro de 1968 - Primeiro voo do P-3C.
  • Junho de 1969 - Primeiro P-3C entregue para serviço operacional ao esquadrão VP-30 da US Navy.

  • 1975 - O Irão encomenda seis aeronaves P-3F. 
  • Julho de 1976 - Canada encomenda o CP-140. 
  • Setembro de 1977 - Primeira atualização Update II entregue. 
  • 1978 - Kawasaki Heavy Industries fica licenciada para construir 90 P-3 necessários ao patrulhamento marítimo Nipónico. 
  • Maio de 1984 - Fica operacional a atualização Update III.
  • 14 de Junho de 1984 - O protótipo AEW faz o seu primeiro voo. 
  • 1 de Outubro de 1985 - Assinado com a Lockheed o contracto de aquisição de seis P-3B ex Real Força Aérea Australiana com destino à Força Aérea Portuguesa.
  •  1988 - Primeiro P-3 AEW entregue ao serviço da Alfandega Norte-Americana. 
  • 17 de Abril de 1990 - Último P-3C Update III entregue à US Navy.
  • 1990 - A Lockheed muda a linha de montagem dos P-3' para a fábrica de Marietta, Georgia.
  •  15 de Dezembro de 1990 - A Coreia do Sul encomenda oito P-3C, que serão os últimos de construção nova, após a sua produção a linha de montagem será definitivamente encerrada. 
  •  21 de Fevereiro de 2005 - Assinatura do acordo final para a compra de cinco aeronaves Holandesas, para a Força Aérea Portuguesa duas na versão P-3C CUP e três na versão P-3C Update II½, que serão modernizadas para a versão P-3C CUP+.
  •  Agosto de 2010 - Entrega da primeira aeronave modernizada P-3C CUP+ à Força Aérea Portuguesa. 
  • 3 de Dezembro de 2010 - Entrega do primeiro P-3AM, modernizado nas instalações da CASA/EADS em Espanha, à Força Aérea Brasileira.
  Variantes / Utilizações
  • YP-3V - Protótipo demonstrador do conceito e avaliação, dois construídos, o primeiro voou pela primeira vez a 19 de Agosto de 1958.
  • P-3A - Primeira versão de produção, construídos 158 exemplares, primeiro voo a 15 de Abril de 1951, entrega inicial em 13 de Agosto de 1962.
  • P-3A (CS) - Alguns P-3A modificados com o radar AN/APG-66, para auxílio do serviço de fronteiras dos Estados Unidos, na intercepção de aeronaves efectuando voos clandestinos de transporte de narcóticos.
  • P-3AM - Conversão de células P-3A ex US Navy para a Força Aérea Brasileira, segundos os requisitos do programa P-3BR a efectuar pela EADS/CASA.
  • CP-3A - Conversão de 30 P-3A da US Navy para a função de transporte apoio logístico. Logo após a assinatura do contrato, o projecto foi cancelado devido à mudança de especificações propostas pela marinha Americana.
  • EP-3A - Conversão de alguns exemplares P-3A destinada a reconhecimento electrónico, possuem a particularidade de não serem todos iguais, devido à profusão de antenas nem sempre P-3A nos mesmos locais.
  • 'NP-3A - Pelo menos dois P-3A incluindo o primeiro protótipo YP-3A convertidos para a função de teste e desenvolvimentos de longa duração.
  • RP-3A - Mudança de designação em 1994 das versões UP-3A, RP-3A, RP-3D e EP-3B.
  • TP-3A - Devido à falta de P-3C durante 1984 para actividades operacionais, foram colocados em condições de voo alguns P-3A designados TP-3A que os substituíram no treino de tripulações, libertando os C para o serviço operacional.
  • UP-3A - Designaçao dada a lguns P-3A despojados dos sistemas de armas e ASW e convertidos para transporte de passageiros entre as unidades da marinha Americana.
  • VP-3A - Conversão em 1975 de três WP-3A já retirados, mais tarde juntaram-se mais dois P-3A, para o transporte de individualidades VIP e ou altas patentes. As aeronaves foram equipadas com assentos confortáveis, sistemas de televisão e de música, bem como acomodações para dormidas durante o voo.
  • WP-3A - Versão de reconhecimento meteorológico derivada da versão P-3A, quatro exemplares foram convertidos e entregues durante 1970 à marinha Americana, substituindo os anteriores WC-121N.
  • P-3B - Segunda versão de produção, 125 unidades construídas, equipada com motores mais potentes e sem necessidade de injecção de água etilizada, os exemplares da marinha Americana estavam capacitados para transporte e disparo do míssil AGM-12 Bullpup.
  • EP-3B - Também conhecidos como Batrack, são dois P-3A modificados para a função de detecção de sinais de radar nas costas marítimas da ex União Soviética e comunicações de navios da mesma nacionalidade navegando em aguas internacionais.
  • NP-3B - Pouco se sabe sobre esta variante, apenas que uma aeronave (#152739) operou sob esta designação, ás ordens de uma unidade "secreta" NAWC-23.
  • P-3C - Terceira versão de produção produzida com avanços significativos ao nível da recolha e disponibilização de dados da situação táctica, centralizados na introdução de um computador digital central, aumentando a eficácia da tripulação na resposta a situações de emergência. Primeiro voo a 18 de Setembro de 1968, construídos 267 aviões.
  • P-3C Update I/II/II½/III - Programas de melhorias sucessivas nas aeronaves da US Navy, mantendo os equipamentos operacionais sempre actuais e compatíveis com as ameaças.
  • P-3C Update IV - Proposta da Boeing para actualização de todos os P-3C da US Navy, nunca realizada 
  • P-3C CUP - Actualização CUP (Capability Upkeep Program) de dez P-3C Holandeses, mesmo antes de serem vendidos a Portugal e a Alemanha.
  • EP-3C - Designação errada referida por algumas fontes, referindo-se a cinco EP-3 de produção Kawasaki Heavy Industries que possuem semelhança exterior com os EP-3E da US Navy.
  • NP-3C - Versão desenvolvida pela Kawasaki Heavy Industries destinada a fazer calibração de radares. Nunca construída.
  • UP-3C - Variante desenvolvida pela Kawasaki Heavy Industries para treino e apoio da versão EP-3, executa também calibração de radares, após o cancelamento da versão NP-3C. Primeiro voo em 1995.
  • RP-3A - Conversão de dois P-3A destinados a projectos de longa duração na pesquisa oceanográfica.
  • RP-3D - Reconfiguração ainda na fase de fabrico de um P-3C, especialmente para a missão de mapeamento magnético do planeta, com a duração estimada de cinco anos, foi dispensada toda a componente ASW, o porão de armamento foi substituído por um tanque adicional de combustível com a capacidade 4 500 litros e todos os sistemas principais requeridos para a missão foram duplicados adicionado ainda um sistema de navegação por satélite.
     
  • Após esta missão o protótipo do P-3C foi convertido para esta configuração, substituindo o original, posteriormente foram acrescentados mais dois P-3B convertidos, substituindo os RP-3A nas missões de pesquisa magnética e acústica oceanográfica no âmbito do esquadrão de desenvolvimento oceanográfico VXN-8.
  • EP-3E Aries / Aries II - Versões de vigilância electrónica EP-3E Aries baseado nos P-3A/B em operação desde 1970, em 1990 são substituídos por células P-3C.
  • P-3F - Versão destinada ao Irão.
  • P-3G - Versão mais curta equipada com a actualização Update IV e novos motores. Cancelada.
  • P-3K - Designação dada aos P-3B da Nova Zelândia depois de actualizados.
  • P-3N - Designação dada a dois P-3B Noruegueses depois de despojados dos sistemas de armas e convertidos para transporte de passageiros (30), patrulha de águas costeiras e treino de tripulações.
  • P-3P - Seis unidades P-3B para a Força Aérea Portuguesa, ex Força Aérea Australiana que retornaram à Lockheed como parte do pagamento de novas aeronaves de substituição P-3C. Conversões efectuadas uma pela Lockheed, as restantes cinco efectuadas localmente pelas OGMA, para um padrão muito próximo ao P-3C Update II½, mas com especificidades únicas.
  • P-3W - Designação não oficial para os P‑3C‑II½ da Real Força Aérea Australiana, quando em manutenção.
  • P-3AEWC - Desenvolvimento de um Sistema Aéreo de Alerta e Controle, destinado a clientes sem poder de compra para adquirir o sofisticado e caro E-3 Sentry. Utilizado apenas pelo serviço de fronteiras dos Estados Unidos.
  • CP-140 Aurora - Versão Canadiana do P-3C, mas equipado com os sistemas do S-3 Viking.
  • CP-140A Arcturus - Três P-3C encomendados à Lockheed em 1989mas montados no Canada, destinados a missões de treino, vigilância das actividades pesqueiras e patrulha da área polar. Equipados apenas com radar de busca e sistema de comunicações.
  • P‑7A - Designação temporária para o que foi apontado como substituto do P-3 equipado com o pacote de actualização da Boeing UPDATE IV e maior autonomia. Também designado LRAACA, cancelado.
Emprego na Força Aérea Brasileira
Desde 1976, quando voou pela última vez o P-2 Neptune (designado P-16 no Brasil), que a Força Aérea Brasileira não possuía um avião com base em terra, capaz de assegurar o patrulhamento marítimo e luta ASW, exceptuando a utilização do Embraer EMB-111 Bandeirante Patrulha também apelidado "Bandeirulha", uma plataforma com limitações severas tanto ao nível de autonomia como de meios.


Após avaliação das várias opções existentes no mercado a opção recaiu na utilização de várias células P-3 ex US Navy e armazenadas no AMARC (309th Aerospace Maintenance and Regeneration Group).


O pedido aos Estados Unidos em 1998 de 15 células P-3C resultou na oferta em 1999 de 12 P-3A, oito para actividade operacional e quatro para canibalização de peças, destinados a operar no 4°/7°GAV sediado na Base Aérea de Santa Cruz. 

No ano de 2000 as tripulações destinadas a operar o P-3 começaram a receber instrução em Portugal na Base Aérea Nº6, Montijo, logo após o início da instrução o programa de aquisição dos P-3 foi cancelado, pela presidência de Lula da Silva. Retomado novamente a 4 de Novembro de 2002 foi escolhida a empresa EADS/CASA após concurso internacional e contracto assinado em Maio de 2005. 


As outras empresas que concorreram, abandonaram o concurso, por acharem que o preço oferecido era insuficiente para a concretização de uma modernização segundo os padrões actuais. Restaram a EADS/CASA e a Lockheed que apresentou um preço mais baixo, mas achava que além da modernização dos aviónicos era também necessária uma intervenção na estrutura da célula para prolongar o limite de vida útil da aeronave, devido a problemas de corrosão e fissuras encontradas na junção das asas com a fuselagem, em aeronaves operacionais. 

O governo Brasileiro declinou esta actualização, argumentando que os P-3A não acusavam esse problema estrutural. a modernização consiste na total revitalização da estrutura da aeronave, montagem de um sistema táctico totalmente integrado de concepção das Construcciones Aeronáuticas S.A. e substituição dos motores originais pelos Allison T56-A-14 e no acordo de modernização está ainda contemplada a instrução de tripulações a efectuar por uma unidade da Força Aérea Espanhola. 

A Força Aérea Brasileira recebeu no dia 3 de Dezembro de 2010, a primeira aeronave P-3AM Orion, na base de solenidade em Madrid, Espanha e durante o ano de 2011, serão efectuados rigorosos testes tendentes à sua aceitação definitiva. As aeronaves estão destinadas a equipar o 1º Esquadrão do 7º Grupo de Aviação, a operar na Base Aérea de Salvador.


 Ficha Técnica


As dimensões externas mantiveram-se constante desde o P-3A até ao CP-140, enquanto que os pesos e performance tiveram pequenas variações. Os dados são referentes à variante P-3C.
 Dimensões
Pesos e Cargas
  • Peso em vazio - 27,890 kg
  • Peso máximo de combustível - 28,350 kg
  • Carga máxima dispensável (armas, sonobóias) - 9,071 kg
  • Peso máximo à descolagem - 61,235 kg
  • Peso máximo à aterragem - 47,119 kg
Performance
  • Velocidade máxima a 4,500m com 47,625Kg - 761Km/h
  • Veloc. de cruzeiro económica a 7,620 m com 48,895 kg - 607Km/h
  • Velocidade de patrulha a 457 m com 49,895 kg - 381 km/h
  • tecto de serviço - 8,625 m
  • Taxa máxima de subida a 500m - 594 m/minuto
  • Corrida de descolagem c/ obstáculo de 15m - 1,673 m
  • Distância de aterragem a 15 m de altura - 1,673 m
  • Raio operacional - 3,835 km
  • Raio operacional c/ 3 horas sobre zona alvo - 2,494 km
  • Resistência máxima a 4,500m com 2 motores - 17 h 12 min
  • Resistência máxima a 4,500m com 4 motores - 12 h 20 min

Motores

Todas as versões excepto P-3A
  • 4x Turbo propulsores Allison T56-A-14 com 4,910 Cv de potência cada

Armamento

Até 9 toneladas de cargas internas e externas podem ser combinadas com as seguintes opções:
  • Compartimento interno
  • 8x Torpedos Mk 46/50
  • 8x Cargas de profundidade MK 54
  • 3x Minas de 450Kg MK 36/52
  • 3x Cargas de profundidade MK 57
  • 2x Cargas de profundidade MK 101
  • 1x Minas de 900Kg MK 25/39/55/56
  • Suportes externos da secção central (2+2)
  • Suportes exteriores (3+3)
  • 2x Torpedos Mk 46 ou Minas de 900Kg MK 25/39/55/56
  • 2x Torpedos Mk 46 ou Minas de 900Kg MK 25/39/55/56 ou foguetes
  • 2x Torpedos Mk 46 ou Minas de 900Kg MK 25/39/55/56 ou foguetes

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